Heróis do mar em terra seca

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Houve um tempo em que aos heróis era exigido que morressem cedo, porque suas obras valerosas só os libertariam da usura do quotidiano se eles se afastassem dos vivos antes que se começasse a romper o espanto unânime pelos actos praticados.

O sacrifício da vida, exigido pelos desafios da sorte ou oferecido sabiamente em troca da imortalidade, é hoje visto como um disparate… e com razão. Na verdade, são raríssimas as oportunidades em que a vida pode ser objecto de troca por qualquer outro valor humano ou social, ainda que altamente estimável.

Num Mundo dominado pela cultura mediática, estas formulações arcaicas do heroísmo não têm qualquer sentido, sobretudo porque o conceito actual de herói exige a sobrevivência do indivíduo e a sua disponibilidade para contar a história aos Media.

Quer isto dizer que o herói mediático não é forçosamente o autor da façanha histórica mas é necessariamente o protagonista das narrações que sobre essa façanha é possível alinhar nos meios de comunicação social.

Convenhamos que é um heroísmo muito mais acessível e democrático, praticamente ao alcance de quase toda a gente normal, pelo menos uma vez na vida.

Paulo Fidalgo

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