A publicidade como lugar de encontro

Na sociedade pré-histórica não havia publicidade, porque nada havia que comprar ou vender.

Só quando as populações cresceram e se especializaram, terá surgido a rivalidade entre comerciantes e a necessidades de fazer algum esforço para persuadir e vender.

Em sociedades que se encontrem organizadas economicamente em termos de mera subsistência não pode, portanto, haver publicidade.

Foi a subida do nível de vida das massas acima do que eram necessidades primárias de sobrevivência física que implicou um certo esforço para vender.

Esta necessidade de vender consolida-se com o desenvolvimento económico das massas, a alfabetização em larga escala e a melhoria das condições domésticas, designadamente o alargamento das casas e a invenção da luz artificial.

A partir de certa altura, tratou-se essencialmente de ensinar às massas a necessitar, ou seja, de produzir nos indivíduos a convicção de que necessitavam de mais do que aquilo de que eles próprios sentiam falta.

O desenvolvimento tecnológico facilitou este efeito. A produção em massa reduziu a distinção entre os objectos refinados dos ricos e os objectos toscos dos pobres.

O capitalismo exige que todas as classes sejam consumidoras, pelo que a Publicidade mantém essa dinâmica, criando as distinções necessárias entre os produtos, de modo a, em cada momento, maximizar a capacidade de consumo.

A visão mais comum da origem histórica e da afirmação social da Publicidade caracteriza-a como consequência directa da revolução Industrial.

Com a produção massiva, o que havia sido um limitado instrumento do pequeno comércio local tornou-se um sistema de contacto para as empresas que queiram expandir-se para além dos limites locais, chegar aos consumidores que não tenham conhecimento directo do fabricante.

Se observarmos o fenómeno da publicidade uniforme e global que hoje preenche o sistema de media e a constante deslocalização das produções industriais, vemos confirmada a hipótese de ser hoje a Publicidade o novo e único local de encontro entre produtores e consumidores, anuladas que foram as distâncias e as fronteiras da velha geografia do comércio.

 

Paulo Fidalgo
CEO da Marketividade

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