O crescimento económico de um País é uma alavanca discreta mas virtuosa que puxa para cima o nível de rendimentos e as perspectivas de bem estar da maioria da população, com mais expressão nos escalões desfavorecidos.
Pelo contrário, a depressão económica instala uma vertigem negativa de perdas de valor a que só os muito privilegiados conseguem resistir, mais das vezes escudados da realidade por contratos públicos leoninos ou activos de valor estratégico.
Há portanto toda a razão em aplaudir um País que se rebelou contra a crise usando a inteligência e o trabalho para vencer as dificuldades e recuperar uma trajectória de optimismo.
Contudo, importa mostrar com transparência e números reais que o País que está a vencer a crise não é o dos empresários mediáticos, dos ex-políticos empreendedores e dos vigaristas de luvas de pelica e mordomo.
Quem de facto está a criar valor para si próprios e para Portugal são as mulheres e os homens sem peneiras nem preconceitos e que movidos pela necessidade e pela ambição de melhorar os seus rendimentos avançaram para o risco de fazer bem e exportar melhor, contra todos os augúrios dos comentadores do óbvio.
Mas no meio das luzes que brilham há algumas que sinalizam o alarme. As previsões do Banco de Portugal apresentam um cenário de desaceleração preocupante até 2020.
E regista-se que o crescimento verificado está acima do crescimento potencial! Esta afirmação que aos leigos parecerá aberração tem um significado técnico preocupante, porque mostra bem os estreitos limites do que podemos fazer sem alterações profundas na estrutura da economia portuguesa.
O crescimento potencial pode ser definido como o crescimento máximo que uma economia pode atingir sem provocar um sobreaquecimento da atividade, ou seja, sem gerar tensões inflacionistas.
O crescimento potencial está intimamente ligado a três factores: a quantidade de mão-de-obra de um país, as reservas de capital e a produtividade.
Se o crescimento actual já está acima do que é teoricamente o óptimo combinado destas variáveis, então importa saber o que podemos e devemos fazer para mexer nestes factores fundamentais do crescimento.
E não me parece enxergar ninguém a querer mexer no que seja. Parecem-me todos felizes com o que têm e com o que são. Ora aí está algo que deve assustar os mais pobres deste País.
Paulo Fidalgo
CEO da Marketividade


